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junho 05, 2012

Mercado de cartões fatura R$ 178,5 bilhões

Os resultados do levantamento realizado pela Associação Brasileira das Empresas de Cartão de Crédito e Serviços (Abecs) neste primeiro trimestre do ano mostrou que o mercado de cartões continua em alta: faturou R$ 178,5 bilhões, com crescimento de 23% em relação do mesmo período do ano passado. Reflexo da tendência de os brasileiros terem acesso a cada vez mais cartões de crédito.
Conforme a Abecs, esta foi a modalidade que obteve maior crescimento em unidades, de 13%, totalizando 179 milhões de cartões em circulação no país. A esta modalidade somam-se os cartões de lojas e redes, que totalizaram 254 milhões de unidades, com crescimento de 10% em comparação com o primeiro trimestre de 2011.
Os dados da Abecs reforçam justamente o estímulo para alavancar o mercado interno - baseado em medidas de ampliação de acesso ao crédito e de reduções de impostos em setores específicos - e ''aumentar'' o poder aquisitivo das pessoas, para que consumam mais. Entretanto, é preciso ter muita cautela neste momento. O professor da Fundação Getúlio Vargar (FGV) e embaixador no Brasil da Neuromarketing Science Business Association (NMSBA), Marcelo Peruzzo, o brasileiro não está sabendo gastar de forma sustentável. Ou seja, a conta está em desequilibrio e a busca por crédito aumenta tanto para o consumo quanto para o pagamento de dívidas.
A grande oferta de cartões de crédito por instituições financeiras e por redes e lojas, quase sempre, faz com que o consumidor se renda à tentação do consumo. ''Quanto mais cartões, maior a sensação que o consumidor tem de ser rico, e é o contrário. Quanto mais cartões de crédito, mais pobre a pessoa é'', adverte Peruzzo, um estudioso do comportamento do consumidor. Ele lembra que existem duas regiões divergentes do cérebro que fazem com que sejamos racionais em algumas situações, mas impulsivos em outras, como na hora das compras.
O professor ressalta que as classes C e D ascendentes são as que mais estão gastando e se endividando, e ao mesmo tempo, são as menos preparadas para trabalhar com o endividamento, porque não têm recursos sólidos para pagar o que devem. ''O que estamos vendo é os bancos baixando os juros para renegociar as dívidas. Não vejo aí um crescimento sustentável.''
Com as melhorias implementadas para aquisição de casas - o programa Minha Casa Minha Vida - e automóveis - redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) -, o consumidor opta pelo financiamento a longo prazo e compromete grande parte do seu salário para adquirir estes bens. A saída acaba sendo os cartões de crédito. ''A gente sabia que isto ia acontecer e aconteceu. Mas o que não pode é buscar cartão de crédito'', avalia Peruzzo.

(folhaweb)

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