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junho 21, 2010

O sistema das drogas

XV Semana Estadual de Prevenção ao Uso Indevido de Drogas, de 21 a 27/06/10)
As drogas tornaram-se um problema gravíssimo para nossos dias. Elas circulam como mercadorias num amplo e complexo sistema. Neste, há os produtores, intermediários e consumidores do produto. Por isso devemos dizer de um “sistema das drogas”.
O elemento mais visível desse sistema é o usuário. Porém, no mundo das drogas ilícitas, o elemento mais visado dentro do sistema é o traficante, por ser quem faz a mediação entre o produtor e o consumidor. Contudo, ainda não é ele que detém a posição mais forte na complexidade do sistema. É uma ingenuidade reduzir o sistema das drogas, como geralmente se faz, à sua parte visível: plantador/preparador/consumidor/traficante.
Esses “peixes pequenos” são escravos de um esquema maior, transnacional, chamado narcotráfico, cujas redes permeiam todo o planeta. E movimentam valores que vão muito além dos USDOL 500 bilhões (quinhentos bilhões de dólares) por ano. Apesar da clandestinidade, o poder dessa malha - que ocupa o terceiro lugar na listagem dos mais produzidos pela indústria mundial - envolve muita gente, tanto na fase de produção e de industrialização, quanto nos inúmeros depósitos para a distribuição.
A mídia já fez muitas reportagens sobre este tipo de comércio, que hoje oferece um bom “salário” para quem dele se aproxima. Sua imensidão integra a rede já citada: produtores, agentes financeiros, traficantes e consumidores. Enquanto os poderosos chefes dessa rede dispõem de muitos meios para escapar da repressão policial - também fazendo a “lavagem do dinheiro” que lhe dá a aparência de legalidade -, os pequenos traficantes e os usuários de drogas acabam atrás das grades ou mortos pelos becos das periferias de nossas cidades, sobretudo das favelas.
Como num círculo vicioso, os excluídos da sociedade do mercado neoliberal acabam sendo os mais expostos à violência do narcotráfico. As chacinas e os conflitos entre gangues nas grandes cidades, a guerra pelo controle do tráfico, as manobras de introdução de drogas nas escolas, nos ambientes de lazer, a precariedade explosiva do sistema carcerário trazem estampada no corpo das vítimas a sua origem social.
Nesse sistema das drogas é necessário considerar os caudalosos rios de dinheiro que nele correm. Aí, não são só os tóxicos-dependentes os vitimados. Todos somos vítimas. E todos devemos nos corresponsabilizar no sentido de não apontar levianamente aqueles e aquelas que são o produto final de um sistema maligno, expressão de uma macroeconomia que concentra riquezas nas mãos de uns poucos, a qualquer custo, sob qualquer produto.
Atitudes simplistas são paliativos baratos diante do diabólico sistema. Não podemos fechar os olhos para os grandes estragos do narcotráfico e os altos custos para os cofres públicos e suas nefastas conseqüências: acidentes, desempregos, desestruturação pessoal, perda do autocontrole, desmanche familiar, perda prematura de entes queridos, disseminação do vírus HIV, aumento da violência, extensão do crime organizado...

Pe. Júlio Antônio da Silva
 É pároco da Paróquia Cristo Ressuscitado em Maringá e Coordenador Geral do MAREV

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