Apurados os votos do primeiro turno, o desempenho dos partidos políticos nas urnas revela que nenhuma sigla tem condições de bancar sozinha uma eleição majoritária em 2014. Seja pela análise do número de prefeituras conquistadas, com PSDB (77), PMDB (56) e PT (39), dividindo a liderança, ou pela quantidade de eleitores que ficarão sob a influência direta dos partidos políticos, nenhuma força política isolada conquistou sequer 15% dos 7,727 milhões de eleitores existentes no Estado.
Ainda sem o resultado do segundo turno nas cinco maiores cidades do Paraná, que concentram 2,2 milhões de votos, foi o PMDB quem mais obteve sucesso na eleição municipal de 2012. O partido migrou sua base política das pequenas cidades para centros urbanos, com maior concentração de eleitores, diminuindo o impacto da perda de 82 prefeituras em apenas quatro anos. Em 2008, a legenda comandava 138 municípios onde viviam 1,6 milhões de eleitores. Neste ano o partido ficou com 56, mas manteve 1,1 milhão de pessoas sob a sua influência.
Hoje, o PMDB está dividido entre apoiar a reeleição de Beto Richa ou lançar candidatura própria, com o senador Roberto Requião e o ex-governador Orlando Pessuti interessados na vaga. O deputado estadual Luiz Cláudio Romanelli (PMDB) defende que o partido apoie Beto Richa. ''Eu vou trabalhar pessoalmente para isso'', garantiu o político. Pessuti discorda, dizendo-se contra o encolhimento do partido. ''Vamos eleger a nova Executiva estadual neste ano e buscar novos filiados, que também poderão ser candidatos'', adiantou. Em 2010, o partido disputou rachado as eleições majoritárias, apesar do apoio formal a Osmar Dias (PDT).
Apesar de liderar em número de prefeituras, com a perda de Curitiba o PSDB ''amargou'' uma redução drástica no número de eleitores sob a sua influência, que caiu de 2 milhões em 2008 para cerca de 900 mil. A legenda fez o caminho inverso do PMDB, privilegiando cidades pequenas e ''adiantando'' alianças nos grandes centros urbanos, como a FOLHA já detalhou, de olho em 2014. ''Nós tivemos um crescimento considerável em número de prefeitos, e consideramos nomes fortes para as alianças, com respaldo regional'', resumiu o deputado estadual Ademar Traiano (PSDB), líder do governo na Assembleia Legislativa. Em 2008, o PSDB tinha 40 prefeituras.
Uma das ''noivas'' do PSDB nas eleições municipais foi o PP do secretário estadual Ricardo Barros, licenciado da pasta de Indústria e Comércio. A legenda apostou seu capital político em Londrina e Maringá, onde disputa o segundo turno. Um resultado negativo significa ter perdido 12 prefeituras em quatro anos. Em 2008, o PP administrava 39 cidades com 1,1 milhão de eleitores. Até agora, conquistou 27 municípios onde vivem apenas 262 mil pessoas, cerca de 25% do cenário anterior. Enquanto isso, DEM, PPS e PSB fizeram o dever de casa e ampliaram número de prefeituras e total de eleitores (veja quadro).
O PT também saiu bem das urnas, subindo de 32 para 39 o número de prefeituras conquistadas. Com isso, a sigla triplicou sua influência no Paraná, de 357 mil para 919,8 mil eleitores residindo em cidades administradas pelo partido. Na disputa do segundo turno em Maringá, Ponta Grossa e Cascavel, basta uma vitória em qualquer dessas cidades para deixar a eleição ao governo do Paraná em 2014 ainda mais disputada.
Alinhado com o PT em 2010, quando Osmar Dias (PDT) perdeu para Beto Richa no segundo turno, o PDT também pode sair do segundo turno como a quinta força política do Paraná. A sigla já possui 34 prefeituras, onde vivem 693,6 mil eleitores, e disputa o segundo turno em Curitiba e Cascavel, com outros 1,3 milhão de votantes. O resultado desses pleitos pode fazer com que o PDT supere o PMDB, embaralhando ainda mais a eleição de 2014.
(folhaweb)

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