A rebelião na Penitenciária Estadual de Cascavel (PEC) foi encerrada por volta das 3h30 desta terça-feira (26/08). Os detentos estavam rebelados desde as 6h30 de domingo
(24/08). De acordo com a Secretaria da Justiça, Direitos Humanos e
Cidadania (Seju), quatro detentos foram mortos. Os dois agentes
penitenciários, que eram mantidos reféns desde o início do motim, foram
libertados. Os dois estavam feridos e precisaram de atendimento médico.
Eles não correm risco de morte.
A rebelião acabou após o fim das transferências de mais de 955 detentos
da unidade. As transferências chegaram a ser suspensas na noite de
segunda (25/08) por motivos de seguranças, mas foram retomadas e concluídas
durante a madrugada desta terça. A medida foi tomada devido a um acordo
firmado entre os presos e o juiz da Vara de Execuções Penais, Paulo
Damas, que intermediou as negociações. A Seju informou ainda que a PM,
juntamente com o Departamento Penitenciário do Paraná (Depen), fará uma
vistoria em todas as alas a partir das 7h.
Até as 6h, o Depen confirmou que quatro detentos foram mortos pelos
rebelados - dois deles foram decapitados, e outros dois morreram após
serem atirados de cima do telhado da unidade.
Além das mortes, os presos também causaram danos em 80% da
penitenciária, segundo o Depen. Das 24 alas da unidade, pelo menos 20
ficaram destruídas.Negociação
As negociações para o fim da rebelião foram interrompidas às 20h de
domingo e retomadas apenas às 7h55 desta segunda-feira. A comissão foi
formada pela secretária de Justiça do Paraná, Maria Tereza Uillie Gomes,
pelo diretor do Depen, Cezinando Paredes, pelo comandante do Batalhão
de Choque da Polícia Militar, Cícero Tenório, e pelo Juiz Paulo Damas.
Segundo o Depen, entre as exigências dos rebelados estavam o
relaxamento nas visitas, mais diálogo com a direção da unidade e
refeições melhores. A unidade prisional que tem capacidade para abrigar
1.116 condenados estava com 1.040 presos quando a rebelião começou.Durante o domingo, 145 detentos já tinham sido transferidos para a Penitenciária Industrial de Cascavel (PIC), que fica próxima a PEC. O grupo era formado por presos que estavam sendo ameaçados pelo rebelados. No mesmo dia, outros 68 foram encaminhados para a Penitenciária de Francisco Beltrão, no sudoeste do estado , e mais seis foram transferidos para a Penitenciária Estadual de Maringá, na região norte do Paraná, e para Curitiba.
Rebelião
De acordo com o advogado dos agentes penitenciários, Jairo Ferreira, a
rebelião teve início no momento em que o café da manhã era entregue aos
detentos. O trinco de uma das grades estava serrado, o que permitiu aos
presos puxarem o agente para dentro e iniciarem a rebelião. Ainda
segundo o advogado, apenas dez agentes estavam de plantão no presídio
que é ocupado por mais de mil presos.
Os detentos invadiram o telhado da penitenciária, queimaram colchões e
hastearam a bandeira de uma facção criminosa que atua dentro e fora dos
presídios no país. Conforme Ferreira, cerca de 80% da unidade está
destruída.Familiares dos presos fecharam a BR-277 por três vezes desde o domingo, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF). As duas pistas da rodovia ficaram bloqueadas no km 579, próximo ao trevo de acesso à penitenciária. Filas de veículos se formaram nos dois sentidos.


Nenhum comentário:
Postar um comentário