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agosto 27, 2014

Dalton Paranaguá, ex-prefeito de Londrina, morre aos 87 anos



Morreu na manhã de ontem (26/08), o ex-prefeito de Londrina Dalton Paranaguá, que havia completado em junho 87 anos. O velório, realizado na Primeira Igreja Batista, da Avenida Paraná (centro), reuniu familiares, amigos e políticos. O sepultamento será hoje às 10 horas no Cemitério Parque das Oliveiras (zona leste). O ex-prefeito faleceu de causas naturais em sua casa, na Rua Pernambuco, residência onde morou praticamente desde sua chegada a Londrina, em 1955. 
Dalton, que também era médico especializado em cirurgia gástrica, sofria de Alzheimer havia aproximadamente sete anos. A doença se intensificou nos últimos dois anos, quando ficou "mais recluso e menos receptivo a visitas e a conversas", disseram pessoas próximas da família. "Nos últimos tempos parou de andar, de se comunicar, se alimentava com dificuldade e começava a ter insuficiência respiratória", relatou Dalton Paranaguá Filho, que também é médico e se dedicava a cuidar do pai. 
O ex-prefeito, que governou Londrina entre 1969 e 1972 e foi secretário estadual de Saúde entre 1966 e 1968, no governo de Paulo Pimentel, era casado com Sidrônia, com quem teve quatro filhos – Dalton, Vera, Denise e Márcia (já falecida). Ontem, filhos e viúva demonstravam força e orgulho. 
Dalton Filho contou que seu pai, nascido em Jerumenha, no Piauí, em 1927, mudou-se para o Rio de Janeiro aos 13 anos. "A viagem demorou um mês", relatou o filho. Morando com os tios, Dalton entrou para a faculdade de medicina. Depois de formado, passou em concurso da Marinha. Logo, porém, viria para Londrina. "O tio dele falou que havia uma cidade no interior do Paraná que estava crescendo muito e ele resolveu vir." O médico já estava casado, mas seus quatro filhos nasceram em Londrina. 
Aqui, Dalton começou a trabalhar no Hospital Evangélico, que, àquela época, ficava onde hoje é a Companhia de Habitação (Cohab), perto de sua casa. Segundo o filho, o médico convidou outros colegas para trabalhar em Londrina porque ele achava que havia muitos clínicos gerais e poucos especialistas na cidade. "Ainda hoje encontro médicos que me dizem: ‘Seu pai me convidou para vir para Londrina’", conta. Dalton também foi um dos cinco fundadores da gastroclínica. Ele atendeu até 1984. "Sessenta por cento de seus pacientes eram atendidos gratuitamente. A morte dele representa a perda de um ser humano em extinção", declarou seu irmão, o pastor Glênio Paranaguá. 
"Ele era um cirurgião, mas tinha a visão de um sanitarista, da saúde pública, se preocupava com a atenção básica", avaliou o médico João Campos, presidente do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (Inesco), que está criando o Centro de Documentação e Pesquisa Histórica em Saúde Pública Dalton Paranaguá. "É uma homenagem a quem sempre apoiou a saúde coletiva e incentivou a abertura do curso de medicina na UEL", completou Campos, que é professor da UEL.

folhaweb

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