Morreu na manhã de ontem (26/08), o ex-prefeito de Londrina Dalton Paranaguá, que
havia completado em junho 87 anos. O velório, realizado na Primeira
Igreja Batista, da Avenida Paraná (centro), reuniu familiares, amigos e
políticos. O sepultamento será hoje às 10 horas no Cemitério Parque das
Oliveiras (zona leste). O ex-prefeito faleceu de causas naturais em sua
casa, na Rua Pernambuco, residência onde morou praticamente desde sua
chegada a Londrina, em 1955.
Dalton, que também era médico especializado em cirurgia
gástrica, sofria de Alzheimer havia aproximadamente sete anos. A doença
se intensificou nos últimos dois anos, quando ficou "mais recluso e
menos receptivo a visitas e a conversas", disseram pessoas próximas da
família. "Nos últimos tempos parou de andar, de se comunicar, se
alimentava com dificuldade e começava a ter insuficiência respiratória",
relatou Dalton Paranaguá Filho, que também é médico e se dedicava a
cuidar do pai.
O ex-prefeito, que governou Londrina entre 1969 e 1972 e foi
secretário estadual de Saúde entre 1966 e 1968, no governo de Paulo
Pimentel, era casado com Sidrônia, com quem teve quatro filhos – Dalton,
Vera, Denise e Márcia (já falecida). Ontem, filhos e viúva demonstravam
força e orgulho.
Dalton Filho contou que seu pai, nascido em Jerumenha, no Piauí,
em 1927, mudou-se para o Rio de Janeiro aos 13 anos. "A viagem demorou
um mês", relatou o filho. Morando com os tios, Dalton entrou para a
faculdade de medicina. Depois de formado, passou em concurso da Marinha.
Logo, porém, viria para Londrina. "O tio dele falou que havia uma
cidade no interior do Paraná que estava crescendo muito e ele resolveu
vir." O médico já estava casado, mas seus quatro filhos nasceram em
Londrina.
Aqui, Dalton começou a trabalhar no Hospital Evangélico, que,
àquela época, ficava onde hoje é a Companhia de Habitação (Cohab), perto
de sua casa. Segundo o filho, o médico convidou outros colegas para
trabalhar em Londrina porque ele achava que havia muitos clínicos gerais
e poucos especialistas na cidade. "Ainda hoje encontro médicos que me
dizem: ‘Seu pai me convidou para vir para Londrina’", conta. Dalton
também foi um dos cinco fundadores da gastroclínica. Ele atendeu até
1984. "Sessenta por cento de seus pacientes eram atendidos
gratuitamente. A morte dele representa a perda de um ser humano em
extinção", declarou seu irmão, o pastor Glênio Paranaguá.
"Ele era um cirurgião, mas tinha a visão de um sanitarista, da
saúde pública, se preocupava com a atenção básica", avaliou o médico
João Campos, presidente do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva
(Inesco), que está criando o Centro de Documentação e Pesquisa Histórica
em Saúde Pública Dalton Paranaguá. "É uma homenagem a quem sempre
apoiou a saúde coletiva e incentivou a abertura do curso de medicina na
UEL", completou Campos, que é professor da UEL.
folhaweb

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