O montante de doações não tem sido proporcional à repercussão da página criada no Facebook pela família de Lais Souza, há quase uma semana, para arrecadar fundos para a ex-ginasta. A avaliação é do pai da atleta, Antônio. Segundo ele, foram transferidos para a conta-corrente de Lais cerca de R$ 3 mil. O valor é de quarta-feira, (19/03), última vez em que o saldo havia sido checado.
Mas Antônio, que ressalta a importância de construir um "pé de meia" para a filha enquanto o tratamento nos EUA está em curso, é grato a qualquer contribuição feita a Lais, não necessariamente financeira. "Orações, o carinho recebido... Não imaginávamos que ela tivesse um carisma tão grande. Estamos todos muito emocionados." E ressalta. "A campanha é da Lais, não do Comitê Olímpico Brasileiro."
Na página, um texto diz que a campanha já tinha recebido R$ 75 mil em um dia. O valor, na verdade, refere-se à quantia necessária para a aquisição de uma cadeira de rodas elétrica e de um tablet para comunicação, sensível ao movimento dos olhos. Um doador, que pediu sigilo sobre sua identidade, garantiu a compra dos equipamentos.
Nascida em Ribeirão Preto, interior paulista, onde vivem seus pais e irmãos, Lais vem de uma típica família da classe trabalhadora. Antônio faz projetos de mecânica, com formação técnica do Ensino Médio. "Tenho meu emprego durante o dia e também faço serviços extras, para garantir o filé mignon." A mãe, Odete, trabalha em uma loja de sapatos. Ao viajar para os EUA, ela recebeu do chefe a garantia de que teria o emprego assim que retornasse ao Brasil. A ex-ginasta tem dois irmãos, que são formados. "Somos uma família humilde, em que não tem sobras. O que a Lais ganhou com a ginástica foi suficiente para a sobrevivência."
Em um cenário econômico que não permite extravagâncias, os familiares de Lais contam com o apoio – das doações, do COB, ou de quem se dispuser – para viajar aos EUA. "Foi um pedido dela, que disse: quero ver meu pai", conta Antônio. Por ora, a família está organizando a parte burocrática, providenciando passaportes e vistos. A ex-ginasta, que se preparava para a Olimpíada de Inverno de Sochi, sofreu o acidente na estação de Park City no dia 27 de janeiro, mas já estava nos EUA antes disso, para treinos.
À distância, pai e filha têm mantido contato. O aplicativo WhatsApp é o principal meio de comunicação. Lais já mandou mensagens de voz a Antônio, e eles mantêm escassas conversas telefônicas. "Ela diz frases curtas, porque fica muito cansada com o tratamento. São três, quatro sessões de fisioterapia por dia." No domingo, durante o programa Fantástico, da TV Globo, Lais dará sua primeira entrevista desde o acidente.

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