Um dia depois de ser protagonista de um experimento científico em plena
abertura da Copa do Mundo do Brasil, Juliano Alves Pinto, de 29 anos,
ainda comemora a oportunidade de ter sido escolhido para usar o
exoesqueleto desenvolvido por um consórcio de pesquisadores, liderado
pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis.
Na quinta-feira (12/06), na Arena Corinthians, o jovem deu um “chute
simbólico” na Brazuca, a bola do Mundial, vestindo o equipamento criado
pelo projeto “Andar de Novo”. Segundo os cientistas, a máquina
transforma o pensamento em controles mecânicos, recuperando movimentos
do corpo que foram paralisados por lesão medular.
Em entrevista ao G1 na sexta-feira (13/06), por telefone, o jovem
de Gália (SP) - que ficou paraplégico após um acidente de carro - disse que recomendaria essa experiência a todos e comentou sobre o
momento que viveu.
“São sete anos e meio de lesão medular, não tendo o movimento dos
membros inferiores. Depois de tudo, poder recuperar o controle deles,
mandar no destino dos seus pés para que eles funcionem... O exoesqueleto
fez isso de novo para a gente, trazendo os movimentos que perdemos.
Posso dizer que é algo extraordinário, que se todo mundo pudesse fazer,
iria amar”, explica o voluntário.
Curto tempo de demonstração
Na transmissão oficial, exibida por emissoras em todo o mundo, a cena
durou sete segundos. Integrantes do projeto apareceram com o voluntário
paraplégico, que estava em pé e já vestia o exoesqueleto. Ele deu um
passo com a perna direita e movimentou a bola, recolhida por um menino
caracterizado de árbitro de futebol. O momento vinha sendo preparado há
anos por Nicolelis e sua equipe.
Em entrevista ao Jornal Nacional nesta quinta, Miguel Nicolelis
reclamou do pouco tempo reservado ao chute. “A Fifa nos informou que nós
teríamos 29 segundos para realizar um experimento dificílimo. Nunca
ninguém fez uma demonstração em 29 segundos de robótica. Isso não existe
em lugar nenhum do mundo. Foi um esforço dramático de todas essas
pessoas que estão aqui. E nós realizamos em 16”, disse “Pelo visto, a
Fifa não estava preparada para filmar um experimento que vai ser
histórico”, completou.
Para Juliano, a aparição rápida pode ter sido, sim, um problema de
organização da Fifa. Segundo ele, o grupo de pesquisadores cumpriu o
cronograma previsto. “Eles tinham dado um certo tempo, mas o roteiro
deles se apertou e aí o que foi disponibilizado pra gente fazer foi
aquilo. Mas foi sucesso, foi vitória, foi um marco que a gente
conseguiu”, explicou.
Segundo o Comitê Organizador da Copa do Mundo, responsável pela
cerimônia, o evento aconteceu dentro do tempo previsto e conforme
ensaios realizados anteriormente.
G1


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