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junho 15, 2014

'Foi extraordinário', diz paraplégico que usou exoesqueleto em abertura da Copa




  Um dia depois de ser protagonista de um experimento científico em plena abertura da Copa do Mundo do Brasil, Juliano Alves Pinto, de 29 anos, ainda comemora a oportunidade de ter sido escolhido para usar o exoesqueleto desenvolvido por um consórcio de pesquisadores, liderado pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis.
Na quinta-feira (12/06), na Arena Corinthians, o jovem deu um “chute simbólico” na Brazuca, a bola do Mundial, vestindo o equipamento criado pelo projeto “Andar de Novo”. Segundo os cientistas, a máquina transforma o pensamento em controles mecânicos, recuperando movimentos do corpo que foram paralisados por lesão medular.
Em entrevista ao G1 na sexta-feira (13/06), por telefone, o jovem de Gália (SP) - que ficou paraplégico após um acidente de carro - disse que recomendaria essa experiência a todos e comentou sobre o momento que viveu.
“São sete anos e meio de lesão medular, não tendo o movimento dos membros inferiores. Depois de tudo, poder recuperar o controle deles, mandar no destino dos seus pés para que eles funcionem... O exoesqueleto fez isso de novo para a gente, trazendo os movimentos que perdemos. Posso dizer que é algo extraordinário, que se todo mundo pudesse fazer, iria amar”, explica o voluntário.
Curto tempo de demonstração
Na transmissão oficial, exibida por emissoras em todo o mundo, a cena durou sete segundos. Integrantes do projeto apareceram com o voluntário paraplégico, que estava em pé e já vestia o exoesqueleto. Ele deu um passo com a perna direita e movimentou a bola, recolhida por um menino caracterizado de árbitro de futebol. O momento vinha sendo preparado há anos por Nicolelis e sua equipe.
Em entrevista ao Jornal Nacional nesta quinta, Miguel Nicolelis reclamou do pouco tempo reservado ao chute. “A Fifa nos informou que nós teríamos 29 segundos para realizar um experimento dificílimo. Nunca ninguém fez uma demonstração em 29 segundos de robótica. Isso não existe em lugar nenhum do mundo. Foi um esforço dramático de todas essas pessoas que estão aqui. E nós realizamos em 16”, disse “Pelo visto, a Fifa não estava preparada para filmar um experimento que vai ser histórico”, completou.
Para Juliano, a aparição rápida pode ter sido, sim, um problema de organização da Fifa. Segundo ele, o grupo de pesquisadores cumpriu o cronograma previsto. “Eles tinham dado um certo tempo, mas o roteiro deles se apertou e aí o que foi disponibilizado pra gente fazer foi aquilo. Mas foi sucesso, foi vitória, foi um marco que a gente conseguiu”, explicou.
Segundo o Comitê Organizador da Copa do Mundo, responsável pela cerimônia, o evento aconteceu dentro do tempo previsto e conforme ensaios realizados anteriormente.

G1

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